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Crescer e distribuir: a nova agenda do desenvolvimento em Mato Grosso do Sul

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Empreendedorismo, investimentos e qualificação conectam o crescimento econômico às oportunidades, à renda e à melhoria da qualidade de vida dos sul-mato-grossenses

A trajetória da empreendedora Marlene Alzira Teixeira Andrade, de 49 anos, ajuda a ilustrar uma transformação que se repete em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul: pequenos negócios que surgem dentro de casa, ganham mercado, se profissionalizam e ampliam sua contribuição para a economia local.

Há dez anos, a produção da Lene Salgados acontecia na cozinha da família, com uma pequena panela que permitia fritar apenas dez salgados por vez. O que começou como uma alternativa para complementar a renda evoluiu para uma empresa estruturada, equipada com fritadeira industrial, masseira, modeladora, freezers e espaço próprio para produção.

O caminho até essa expansão não foi simples. Em 2021, Lene recebeu o diagnóstico de câncer de mama e precisou enfrentar dois anos de tratamento. Durante esse período, contou com o apoio da família para manter a empresa em funcionamento. A filha assumiu parte da produção enquanto a empreendedora conciliava a recuperação da saúde com a gestão do negócio.

Antes de se dedicar integralmente à empresa, ela trabalhava em um supermercado da cidade. O incentivo decisivo veio do marido, José Erivaldo, que investiu na compra de um freezer para ampliar a capacidade de produção e ajudar a transformar o empreendimento em uma atividade permanente.

Com o aumento das vendas, vieram novos investimentos em equipamentos, qualificação e gestão. A empreendedora deixou de atuar como Microempreendedora Individual (MEI) e migrou para o Simples Nacional, adotando uma estrutura empresarial mais robusta.

Salgados sendo preparados por Lene (Foto: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA)

Hoje, a empresa conta com acompanhamento contábil, planejamento de crescimento e apoio de instituições como o Sebrae e a Sala do Empreendedor. A produção, que no início alcançava cerca de três mil salgados, chegou à marca de 15 mil unidades, enquanto o cardápio passou a incluir produtos gourmet para atender às novas demandas do mercado.

Além de contratar diaristas nos períodos de maior movimento, Lene já planeja ampliar a equipe de forma permanente. Para ela, empreender significa mais do que vender produtos, é gerar renda, criar oportunidades e construir relações duradouras com os clientes.

“O dia que percebi que precisava deixar de ser MEI e virar empresa de verdade foi quando caiu a ficha de que aquele sonho tinha crescido. Já não era mais só eu fazendo salgado. Era uma empresa sustentando projetos, gerando renda e abrindo novas possibilidades para a minha família”, conta.

A história de Lene ajuda a explicar como o crescimento econômico alcança as pessoas, transformando esforço individual em geração de renda, fortalecimento dos pequenos negócios e novas perspectivas para as famílias.

É o que também apontam dados da Receita Federal sobre a expansão do número de empresas no Estado. Entre 2023 e 2025, o Mato Grosso do Sul registrou um crescimento expressivo na abertura de empresas, passando de 53,1 mil para 69,5 mil novos negócios, um avanço acumulado de 30,8% no período.

O destaque foram os pequenos negócios, que responderam por quase 96% das aberturas em 2025, com 66,6 mil registros, além do empreendedorismo feminino, que cresceu de 17,8 mil empresas abertas em 2024 para 24,1 mil em 2025, alta de 35,5%. Os números de 2026, ainda parciais, já apontam para a continuidade desse movimento, com 40,9 mil novas empresas abertas até junho, sendo 39,7 mil pequenos negócios.

Histórias como as da Lene estão longe de ser um caso isolado, elas são semelhantes a muitas outras que têm se multiplicado em Mato Grosso do Sul, impulsionadas pelo avanço do empreendedorismo feminino e pela crescente participação das mulheres na economia.

Movimento que, segundo a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, tem se consolidado como uma importante força de geração de renda e desenvolvimento no Estado. “O empreendedorismo feminino tem crescido porque cada vez mais mulheres enxergam nele um caminho concreto para a independência financeira, a realização pessoal e a geração de impacto nas suas comunidades. Esse movimento tem se consolidado como uma força econômica relevante em Mato Grosso do Sul”, afirma.

Os dados do Sebrae confirmam essa maturidade. Entre as empreendedoras atendidas pelo programa Sebrae Delas, 61% possuem negócios com mais de três anos de existência. Isso significa que as mulheres não estão apenas abrindo empresas, mas conseguindo mantê-las e estruturá-las ao longo do tempo. É um sinal de uma presença cada vez mais consistente e qualificada no mercado.

Para Sandra Amarilha, o fortalecimento dessa presença feminina também está relacionado à existência de redes de apoio, capacitação e troca de experiências.

Sandra Amarilha é diretora técnica do Sebrae e analisa o bom cenário de MS (Foto: Sebrae-MS)

“Além do suporte técnico, iniciativas como o Delas Day contribuem para esse movimento ao criar espaços de conexão e apoio mútuo entre empreendedoras. Neste ano, o evento reuniu mais de 30 instituições parceiras mobilizadas para fortalecer o protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul, o que mostra que essa agenda vai além do Sebrae e envolve toda uma rede de atores comprometidos com o avanço das mulheres no mercado”, destaca.

Os números revelam não apenas o crescimento da participação feminina no empreendedorismo, mas também uma mudança no perfil desses negócios. Assim como ocorreu com Lene, muitas mulheres estão avançando para uma nova etapa, marcada pela profissionalização da gestão, ampliação da capacidade produtiva e busca por novos mercados.

Embora comércio e serviços continuem concentrando a maior presença feminina, especialmente em áreas como alimentação, beleza, saúde, educação e economia criativa, a atuação das empreendedoras vem se diversificando.

“As mulheres estão chegando com força também em segmentos ligados à inovação, à tecnologia e aos negócios digitais. Mas o que mais chama atenção é que elas não estão preocupadas apenas em abrir uma empresa. Existe uma busca cada vez maior por qualificação, estruturação dos processos, ampliação das vendas e consolidação dos negócios no mercado”, afirma a diretora técnica do Sebrae.

“O empreendedorismo é um dos caminhos para promover uma economia mais inclusiva e sustentável. Ele permite a autonomia financeira e cria oportunidades de trabalho e renda para quem historicamente tem menos acesso a elas, como mulheres, pessoas com deficiência e pessoas de baixa renda. Nesse contexto, a economia criativa surge como uma alternativa cada vez mais relevante, gerando impactos positivos nas comunidades ao promover a valorização da cultura local e das identidades regionais”, avalia.

Do balcão ao PIB – o ambiente que impulsiona o desenvolvimento

As histórias de empreendedores que ampliam seus negócios ajudam a revelar uma transformação maior. Enquanto novos empreendimentos surgem e se consolidam em diferentes regiões, Mato Grosso do Sul vive um dos mais intensos ciclos de crescimento econômico de sua história recente, impulsionado por investimentos privados, industrialização e integração logística.

Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu 13,4%, resultado mais de quatro vezes superior à média nacional no período. O desempenho refletiu a força de setores como agropecuária, indústria e serviços, além de um ambiente favorável à instalação de novos empreendimentos.

Atualmente, Mato Grosso do Sul reúne mais de R$ 105 bilhões em investimentos privados anunciados e, desse total, R$ 81 bilhões já estão consolidados, evidenciando a confiança do setor produtivo no potencial de crescimento do Estado. Os aportes estão distribuídos em áreas estratégicas como celulose, bioenergia, proteína animal, logística e infraestrutura.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o projeto da Arauco, em Inocência, considerado um dos maiores investimentos privados em andamento no Brasil. Com previsão de aporte de US$ 4,6 bilhões, a nova fábrica de celulose reforça a posição de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais do setor e amplia a capacidade de atração de novos negócios para a região.

Fila de caminhões com eucalipto na estrada (Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo)

As perspectivas de crescimento também são impulsionadas pela Rota Bioceânica, corredor internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico. A iniciativa representa uma mudança estrutural na logística de exportação brasileira, ao aproximar o Estado dos mercados asiáticos e reduzi tempo de deslocamento e custos associados ao transporte de cargas.

O impacto vai além do setor exportador. Com acesso mais rápido aos portos do Pacífico, Mato Grosso do Sul amplia sua capacidade de inserção em cadeias globais de valor, fortalece a atração de investimentos e consolida sua posição como plataforma logística da América do Sul.

Para o governador Eduardo Riedel, esse movimento faz parte de um ciclo de desenvolvimento que combina competitividade econômica com políticas públicas voltadas à preparação das pessoas para as novas oportunidades criadas pela expansão da economia.

“O crescimento econômico é o ponto de partida, não o ponto de chegada. Nosso compromisso é criar um ambiente que atraia investimentos, gere empregos e fortaleça a economia, mas, ao mesmo tempo, garantir que esse desenvolvimento chegue às pessoas por meio de educação de qualidade, qualificação profissional, infraestrutura, saúde e políticas públicas capazes de ampliar oportunidades. Crescer é importante. Fazer esse crescimento melhorar a vida das famílias sul-mato-grossenses é o que realmente mede o sucesso desse trabalho.”

Crescimento com reflexos sociais

Os efeitos desse ciclo de expansão econômica começam a aparecer também em indicadores ligados à qualidade de vida da população. Embora o crescimento do Produto Interno Bruto seja um dos sinais mais visíveis do desempenho da economia, especialistas destacam que o desenvolvimento de um território depende da capacidade de transformar riqueza em oportunidades, renda e melhoria das condições de vida do sul-mato-grossense.

Para o PhD em Economia e professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Michel Constantino, os resultados observados em Mato Grosso do Sul ganham relevância quando analisados à luz do cenário nacional. Ele lembra que o Brasil ainda convive com elevados níveis de desigualdade de renda e figura entre os países mais desiguais do grupo analisado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Nesse contexto, avalia que o desempenho sul-mato-grossense demonstra a importância de combinar crescimento econômico com políticas capazes de ampliar oportunidades e promover inclusão social.

Michel é PhD em Economia e destaca relevância de MS nacionalmente (Foto: Arquivo Pessoal)

“Enquanto o PIB estadual projetado para 2025 aponta um crescimento de 6,86%, muito superior à projeção nacional de 2,3%, o Estado também comemora a saída de 40 mil pessoas da linha de pobreza entre 2023 e 2024. Distribuir resultados significa fortalecer o mercado consumidor local, reduzir a dependência de programas assistenciais no longo prazo e garantir que o ciclo de prosperidade seja mais duradouro e menos vulnerável a crises externas”, afirma.

Os indicadores de capital humano ajudam a explicar por que o crescimento econômico tem produzido reflexos sociais cada vez mais perceptíveis em Mato Grosso do Sul. Em 2025, o Estado alcançou a segunda posição nacional no pilar Capital Humano do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), consolidando-se como referência nacional em aspectos ligados à formação, empregabilidade e desenvolvimento da população.

O desempenho está associado a iniciativas voltadas à preparação da mão de obra para atender às novas demandas da economia. Entre elas está o MS Qualifica, política estadual criada para ampliar o acesso à capacitação profissional e aproximar trabalhadores das oportunidades abertas pelo ciclo de investimentos em curso no Estado. Já são mais de 500 mil qualificações.

Os reflexos desse processo também podem ser observados nos indicadores sociais. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul caiu de 2,7% para 1,6%, uma redução superior a 40% em dois anos.

O resultado reforça uma discussão que ganha cada vez mais espaço entre gestores, economistas e especialistas em desenvolvimento: mais do que acelerar o crescimento econômico, é preciso garantir que seus benefícios alcancem um número cada vez maior de pessoas.

Nesse contexto, a geração de empregos, a qualificação profissional, o fortalecimento do empreendedorismo e a ampliação da renda passam a ser indicadores tão importantes quanto o próprio desempenho da economia. Para Michel Constantino, a capacidade de transformar crescimento em desenvolvimento depende diretamente da atuação do poder público.

“Em Mato Grosso do Sul, essa estratégia tem acompanhado a chegada de grandes empreendimentos. O Estado tem direcionado esforços para preparar os territórios e ampliar as oportunidades para a população. Esse trabalho envolve investimentos em infraestrutura, saúde, educação e qualificação da mão de obra, criando condições para que trabalhadores e empresas locais participem dos benefícios gerados pela expansão econômica.”

Segundo o economista, essa preparação ajuda a explicar parte dos resultados alcançados pelo Estado nos últimos anos. Mato Grosso do Sul possui atualmente a maior taxa de investimento público do país, equivalente a 15,3% da Receita Corrente Líquida, além de indicadores que refletem um ambiente favorável aos negócios, como a elevada abertura de empresas e a agilidade nos processos de formalização.

“O poder público atua na criação de um ambiente de negócios favorável, evidenciado pela alta taxa de novos negócios (55,4% em 2025) e pela agilidade na abertura de empresas, que fomenta o empreendedorismo local. O papel estatal, portanto, é o de construir a ponte entre o grande capital investidor e o pequeno empreendedor ou trabalhador local, garantindo que a riqueza circule dentro do Estado”, avalia.

Elaine Paes, Comunicação Segov
Foto de capa e galeria: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA

Fonte: Governo MS

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SEC dobra repasse a grêmios estudantis e amplia apoio a ações de protagonismo juvenil em MS

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A SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), em parceria com a SED (Secretaria de Estado de Educação), dobrou neste ano o valor destinado aos Grêmios Estudantis ativos da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul. Após o repasse de R$ 500 a cada grêmio em 2025, os 345 coletivos participantes da formação receberão, em 2026, R$ 1 mil para subsidiar ações desenvolvidas pelos próprios estudantes em suas escolas.

O investimento fortalece a atuação dos grêmios como espaços de participação, cidadania e mobilização juvenil, apoiando iniciativas nas áreas educacional, esportiva, cultural e social. Entre os eixos trabalhados está a valorização da vida, com ações de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

Subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, enfatiza que grêmios ampliaram tanto em número como em qualificação. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)

A formação dos Grêmios Estudantis é coordenada pela Subsecretaria de Políticas Públicas para Juventude, vinculada à SEC, em parceria com a SED. Desde 2024, a iniciativa vem sendo estruturada de forma contínua, reunindo estudantes e professores em uma trilha formativa que incentiva o desenvolvimento de projetos dentro das unidades escolares.

Para o subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, o crescimento da iniciativa é percebido tanto na ampliação do número de participantes quanto na qualidade das ações construídas pelos estudantes. “Os Grêmios Estudantis vivem um momento de grande crescimento em Mato Grosso do Sul, tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo. A formação que realizamos desde 2024 tem um formato sistematizado e inovador, único no País, e vem fortalecendo o protagonismo da juventude dentro e fora das escolas”, afirma.

No ano passado, 341 grêmios receberam R$ 500 cada para desenvolver atividades relacionadas à formação. Neste ano, o número de coletivos ativos participantes chegou a 345, e o valor do repasse foi ampliado. “É um recurso que ajuda a transformar ideias em ações e permite que os próprios estudantes desenvolvam iniciativas voltadas aos seus contextos escolares e comunitários”, destaca Jessé.

A trilha formativa “Juventude por Elas e por Eles” integra as ações do Protege, estratégia estadual de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Com carga horária de 40 horas, a formação aborda o papel dos grêmios como espaços de transformação, a construção de ambientes de respeito e equidade e a elaboração de propostas e ações escolares. Além de discutir cidadania e participação social, a proposta busca sensibilizar jovens para a prevenção das violências e para a construção de relações mais respeitosas. A temática da valorização da vida e do enfrentamento à violência contra mulheres e meninas é um dos pilares da formação desde o ano passado.

Para a Escola Estadual Prof. Tito, grêmios transformaram alunos em sujeitos ativos na construção de uma sociedade.

“O grêmio tem uma preocupação com os diferentes contextos previstos em lei, como as questões educacionais, esportivas, culturais e sociais. Mas, dentro dessa formação, a valorização da vida, a prevenção e o enfrentamento à violência contra a mulher e contra as meninas são eixos centrais. A proposta é trazer a juventude para esse compromisso de proteção, porque a juventude também protege”, reforça o subsecretário.

Na Escola Estadual Prof. Alberto Elpídio Ferreira Dias, conhecida como Prof. Tito, em Campo Grande, a atuação do grêmio estudantil tem contribuído para aproximar os estudantes das temáticas trabalhadas pela escola e pelas políticas públicas voltadas à juventude. A unidade desenvolve um projeto de combate à violência contra a mulher, com foco na valorização das mulheres e no fortalecimento do sentimento de pertencimento à comunidade escolar.

Para a diretora Fernanda Alves Bucallon Serafim, a participação dos estudantes torna as ações mais efetivas porque transforma os jovens em sujeitos ativos dos processos construídos dentro da escola. “Quando abrimos a possibilidade de os alunos se engajarem, e não apenas receberem as informações, o resultado é muito mais efetivo. Eles passam a compreender que o grêmio não existe somente para reivindicar algo, mas para ser exemplo e uma representatividade verdadeiramente positiva dentro da escola”, afirma.

Segundo ela, o protagonismo estudantil também amplia a capacidade de diálogo sobre temas que atravessam a realidade dos próprios jovens. “É uma conversa de igual para igual. Quando os estudantes encabeçam essas ações, eles conseguem alcançar colegas que, muitas vezes, enxergam os adultos a partir de outro lugar. Essa identificação faz diferença, porque eles compartilham vivências, angústias, conquistas e desafios semelhantes”, destaca.

As formações oferecidas aos integrantes dos grêmios, na avaliação da diretora, contribuem para ampliar o olhar dos estudantes para além da rotina escolar, das avaliações e da preparação para o futuro acadêmico. “São temáticas que ajudam a abrir a mente dos estudantes para outras perspectivas. Quando um grupo que tem destaque dentro da escola recebe essa formação, ele passa a refletir, criar novas ideias e levar essas discussões para outros espaços. Muitos entram no grêmio por interesse em esporte, cultura ou eventos, mas, ao vivenciarem a formação, compreendem a responsabilidade e o alcance que essa atuação pode ter”, explica Fernanda.

Repasse direcionado aos grêmios possibilita que grupos possam trabalhar a temática com autonomia.

O repasse de R$ 1 mil também é apontado pela diretora como uma oportunidade de aprendizado prático sobre planejamento, escuta e responsabilidade coletiva. Para além do desenvolvimento de uma ação específica, o recurso permite que os estudantes tenham autonomia para pensar prioridades, organizar estratégias e compreender os desafios envolvidos na gestão de recursos.

“Foi uma estratégia muito oportuna, porque dá a eles a possibilidade de realizar algo que seja, de fato, do grêmio. Mas, principalmente, ensina que uma boa ação não depende apenas do tamanho do recurso: depende de planejamento, escuta ativa e de uma proposta que alcance toda a comunidade escolar”, finaliza.

Em 2025, os recursos destinados aos grêmios contribuíram para a realização de rodas de conversa, palestras, produções audiovisuais, peças teatrais e campanhas de conscientização nas escolas.

Aprendizados que seguem para além da escola

Matheus, que foi presidente de grêmio até 2025, levou consigo o que aprendeu no grêmio.

A experiência no Grêmio Estudantil também deixa marcas que acompanham os jovens depois da conclusão do ensino médio. Aos 18 anos, Matheus Gleizer Pianta cursa licenciatura em Matemática na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), mas ainda carrega os aprendizados do período em que presidiu o Grêmio Athena, entre 2024 e o fim de 2025.

Para ele, as formações foram fundamentais não apenas para ampliar o conhecimento sobre temas sociais, mas também para fortalecer o trabalho coletivo dentro da escola. À frente do grêmio, Matheus acompanhou o envolvimento de outros estudantes na organização de eventos, campanhas de conscientização e ações de solidariedade.

“É muito importante conhecer novos temas e se aprofundar em assuntos que têm grande relevância para a sociedade. Enquanto presidente, foi muito significativo perceber o desenvolvimento dos demais integrantes, porque não fui apenas eu quem levou pautas importantes ou organizou campanhas. Tudo foi resultado do trabalho de uma equipe de estudantes que recebeu capacitação e passou a compreender a importância de atuar dentro da escola”, conta.

Entre os conteúdos que seguem presentes em sua trajetória, Matheus destaca a valorização da vida e o enfrentamento à violência contra as mulheres. Para ele, discutir o tema durante a formação ajudou a compreender que o compromisso com a prevenção da violência precisa envolver toda a sociedade, especialmente os homens.

“Levo comigo muitos dos aprendizados adquiridos nesse período, principalmente sobre a valorização da vida e o enfrentamento à violência contra a mulher. Mato Grosso do Sul enfrenta índices muito altos de feminicídio, o que torna esse debate ainda mais necessário. As formações nos ensinaram que não podemos nos omitir diante de qualquer situação de violência. Aprendi que, enquanto homem, também tenho responsabilidade nesse enfrentamento: é preciso denunciar quando presenciar, ouvir ou identificar qualquer indício de violência e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Esse é um dos maiores ensinamentos que vou levar para toda a vida”, afirma.

O ex-presidente também ressalta a importância do repasse destinado aos grêmios, que, segundo ele, deu condições para que as propostas elaboradas pelos estudantes saíssem do papel e se transformassem em ações voltadas à comunidade escolar.

“O recurso deu autonomia para que nós, estudantes, pudéssemos transformar ideias em ações. Muitas vezes, o maior obstáculo para desenvolver campanhas e projetos é justamente a falta de recursos. No nosso caso, o valor foi utilizado para fortalecer ações de conscientização relacionadas à valorização da vida e ao enfrentamento da violência contra a mulher”, explica.

Uma das atividades desenvolvidas pelos grêmios estudantis foi a produção de materiais audiovisuais e exposições dentro das escolas quanto às frases que muitas vezes são ditas pelas vítimas de violência. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)

Mais do que o apoio financeiro, Matheus entende que o investimento representa reconhecimento à capacidade dos jovens de mobilizar a escola em torno de temas que impactam a vida coletiva. “Esse investimento mostrou que a Secretaria acredita na capacidade dos estudantes de promover debates importantes e mobilizar a comunidade escolar. Isso nos motivou ainda mais a desenvolver iniciativas que realmente alcançassem os alunos e a escola”, destaca.

A iniciativa reafirma o papel dos grêmios como espaços legítimos de organização estudantil e formação cidadã, reconhecendo os jovens como agentes capazes de mobilizar suas escolas e comunidades em torno de temas que atravessam a vida coletiva.

“Os grêmios avançam a cada dia e têm se tornado referência para outros estados do país. Quando o Governo do Estado investe diretamente nesses estudantes, fortalece lideranças que ajudam a construir uma cultura de paz, respeito e responsabilidade coletiva”, finaliza o subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz.

Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania
Foto de capa: Matheus Carvalho/SEC

Fonte: Governo MS

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