MATO GROSSO DO SUL
MS inicia Junho Prata com chamado coletivo por respeito e valorização da população idosa
Ação “Sinceras Linhas”, da Subsecretaria de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, em um CCI da Capital. (Foto: Paula Maciulevicius/SEC)
Com um convite à reflexão sobre envelhecimento, dignidade e garantia de direitos, Mato Grosso do Sul deu início, nesta segunda-feira (1º), à campanha Junho Prata 2026, mobilização estadual de enfrentamento à violência contra a população idosa promovida pela Secretaria de Estado da Cidadania.
A abertura oficial ocorreu por meio de live que reuniu representantes de mais de 30 municípios sul-mato-grossenses, entre gestores da política pública da pessoa idosa, profissionais da rede de atendimento, universidades, conselhos, instituições parceiras e pessoas idosas, os protagonistas centrais da campanha.

Além do debate sobre violência, idadismo e proteção social, também foi lançado oficialmente o Calendário Junho Prata 2026, que irá reunir e divulgar as ações promovidas pelos municípios ao longo do mês.
A proposta é fortalecer a mobilização estadual, ampliar a participação das cidades e dar visibilidade às iniciativas voltadas à promoção dos direitos da população idosa.
A abertura foi conduzida pela subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, Larissa Paraguassu, que destacou a importância de construir políticas públicas que reconheçam o envelhecimento como parte da vida e da cidadania. “Falar sobre envelhecimento é falar sobre humanidade, respeito, dignidade e futuro. É falar sobre o tipo de sociedade que estamos construindo para nós mesmos e para as próximas gerações”, afirmou.
Durante a fala, Larissa ressaltou que discutir envelhecimento exige olhar para as diferentes realidades sociais presentes no Estado, fortalecendo políticas públicas inclusivas e intersetoriais. “Quando falamos sobre envelhecimento, estamos falando sobre todas as pessoas. Falamos do envelhecimento indígena, quilombola, LGBTQIA+, das pessoas com deficiência. Precisamos olhar para todos os grupos que estão envelhecendo”, pontuou.
Ela também destacou o trabalho de articulação desenvolvido pela Secretaria de Estado da Cidadania para integrar diferentes áreas do Governo do Estado nas pautas relacionadas à população idosa.
Secretário de Estado da Cidadania, José Francisco Sarmento, reforçou a importância da participação social e do diálogo permanente entre sociedade civil e poder público para o fortalecimento das políticas públicas. “É muito importante que vocês provoquem o poder público, participem dos conselhos, fóruns e debates. O Governo do Estado só cresce e melhora com isso”, destacou.
Representando o protagonismo da população idosa, a acadêmica da Universidade da Maturidade (UMA/UEMS), Neide de Paulo Silva, compartilhou sua trajetória de aprendizado e participação social, reforçando a importância de espaços de convivência, valorização e pertencimento.
“Envelhecer é um processo extraordinário. Hoje vivemos mais, mas precisamos refletir sobre como estamos tratando a população idosa”, afirmou. Ela também chamou atenção para o papel da informação na prevenção às violências. “A informação protege, porque uma pessoa idosa consciente dos seus direitos se torna menos vulnerável a abusos e violências”, disse.
A palestra magna do evento foi ministrada pela professora doutora Naira de Fátima Dutra Lemos, assistente social, especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), mestre e doutora em Ciências pela Unifesp e integrante do Conselho Consultivo Pleno da SBGG Nacional.
Durante a apresentação, a especialista abordou o crescimento das denúncias de violência contra a população idosa, o impacto do idadismo na naturalização dessas violências e a necessidade de ampliar a educação para o envelhecimento em diferentes espaços da sociedade.
“A violência contra a pessoa idosa não começa na agressão física. Ela começa quando deixamos de enxergar a pessoa idosa como sujeito de direitos”, alertou.
Naira também ressaltou que o aumento dos registros de violência representa maior conscientização e fortalecimento dos canais de denúncia. “Não é apenas que existam mais casos. Hoje também temos mais denúncias, mais pessoas reconhecendo e nomeando a violência”, explicou.
Ao longo da palestra, a especialista apresentou três palavras-chave para o enfrentamento à violência contra a população idosa: reconhecer, nomear e agir. “Quando a violência se torna normal, ela deixa de chocar. Por isso, reconhecer e nomear é o primeiro passo para enfrentar”, destacou.
Entre os temas abordados estiveram a violência psicológica, patrimonial, física, negligência e abandono, além da necessidade de fortalecer as redes de apoio e proteção nos municípios.

Junho Prata
A campanha Junho Prata é realizada anualmente com o objetivo de mobilizar a sociedade para o enfrentamento à violência contra a população idosa, ampliar o debate sobre envelhecimento e fortalecer ações de promoção de direitos, respeito e valorização da vida.
Ao longo do mês, os municípios sul-mato-grossenses irão promover palestras, rodas de conversa, ações educativas, mobilizações e atividades de conscientização voltadas à população idosa e à sociedade em geral. O calendário estadual seguirá sendo atualizado com as programações encaminhadas pelas cidades participantes.
Para visualizar a programação completa do calendário, clique aqui.
Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Fonte: Governo MS
MATO GROSSO DO SUL
DNA coletado em presídios amplia investigações e fortalece banco genético de Mato Grosso do Sul
A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul ampliou em 486 perfis o banco estadual de DNA após duas etapas de coleta realizadas no Complexo Penitenciário da Gameleira, em Campo Grande. A medida fortalece investigações criminais e amplia as chances de identificação de autores por meio de vestígios biológicos encontrados em cenas de crime.
A segunda etapa da ação foi realizada na sexta-feira (29), na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira I, onde foram coletadas 186 amostras genéticas. A primeira ocorreu em 30 de abril, na Gameleira II, com a coleta de outras 300 amostras.
As ações integram as metas do Contrato de Gestão 2026, firmado entre a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e o Governo do Estado, voltadas ao fortalecimento do Banco de Perfis Genéticos. O trabalho é executado pelo IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), da Polícia Científica, com apoio da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul.
Após a coleta, as amostras passam por processamento laboratorial e, quando atendem aos critérios técnicos e legais, são inseridas nos bancos estadual e nacional de perfis genéticos. Os dados são utilizados em comparações que podem auxiliar na identificação de autores de crimes, estabelecer conexões entre diferentes ocorrências e subsidiar investigações em andamento.

Segundo a diretora do IALF, Josemirtes Prado da Silva, a ampliação da base genética aumenta a capacidade de confronto entre perfis cadastrados e vestígios coletados durante investigações.
“Quanto mais amostras de condenados forem inseridas, maior é a chance de coincidência com vestígios já cadastrados. O banco é mais uma ferramenta para auxiliar na identificação de autoria ou de autores em dois locais de crimes distintos”, afirma.
Dados da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos mostram que Mato Grosso do Sul contabilizava 5.471 perfis cadastrados até 1º de maio de 2026. Do total, 4.081 pertencem a condenados e 918 são vestígios biológicos coletados em investigações criminais.
O Estado acumula 88 investigações auxiliadas pela rede e 59 coincidências genéticas confirmadas. Dessas, 46 ocorreram entre vestígios biológicos e 13 entre vestígios e indivíduos cadastrados, demonstrando a capacidade da ferramenta de identificar autores e relacionar crimes cometidos em diferentes locais.
De acordo com a diretora do IALF, um caso recente resultou na identificação de correspondência entre material genético coletado em mutirão anterior e vestígios que permaneciam cadastrados sem autoria definida. “Um vestígio sem autoria hoje pode se transformar em prova amanhã”, destaca.
A Polícia Penal é responsável pela triagem das pessoas privadas de liberdade que se enquadram nas hipóteses legais de coleta, além de garantir a segurança durante as ações realizadas nas unidades prisionais.
A ampliação das coletas acompanha mudanças na legislação federal. Com a entrada em vigor da Lei nº 15.295/2025, a identificação do perfil genético passou a alcançar condenados à pena de reclusão em regime inicial fechado, independentemente do tipo de crime. Antes, a obrigatoriedade estava restrita a hipóteses específicas, como crimes contra a vida, contra a liberdade sexual e delitos praticados com violência grave.
A previsão é que novos mutirões sejam realizados em estabelecimentos penais do interior do Estado, ampliando a base genética sul-mato-grossense e fortalecendo uma ferramenta considerada estratégica para o esclarecimento de crimes e a produção de provas de interesse da Justiça.
Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS
Fonte: Governo MS
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