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Com montagem de Bolsonaro “nu”, ONG lança campanha contra desinformação

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ONG Repórteres Sem Fronteiras divulgam campanha mundial contra o presidente Jair Bolsonaro
Repórteres sem fronteiras

ONG Repórteres Sem Fronteiras divulgam campanha mundial contra o presidente Jair Bolsonaro

Nesta segunda-feira (22), a ONG Repórteres Sem Fronteiras , lançou uma campanha em que defende o direito à informação honesta no Brasil após críticar o método do governo Bolsonaro de “disseminar desinformação sobre a pandemia” da covid-19. As informações foram apuradas pelo Jamil Chade, do Uol. 

Na propaganda, através de uma montagem, Bolsonaro é visto sem roupa segurando um cartaz em que o número de mortes e infectados pelo novo coronavírus no país é divulgado. O Brasil conta com cerca de 246 mil mortes e 10,1 milhões de contaminados pelo vírus. “A verdade nua”, nome dado a ação da agência BETC Paris, ressalta a “importância crucial do jornalismo para garantir o acesso a informações confiáveis sobre a pandemia”. 

 “Enquanto a covid-19 provoca estragos no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro contribui para aumentar o número de mentiras em circulação e segue atacando a imprensa – numa tentativa de esconder sua incapacidade de administrar a crise sanitária. A nova campanha da RSF no Brasil defende que se mostre “a verdade nua”, a crua realidade dos fatos, para além de alegações fantasiosas ou manipuladoras”, declara.  

A Organização relata que optou pela montagem com o intuito de mostrar ao presidente a “realidade nua e crua dos fatos, enquanto ele acusa a imprensa pelo caos instalado no país para desviar a atenção de sua desastrosa gestão da crise sanitária”.

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O Brasil, atualmente, ocupa a terceira posição dos países mais afetados pela pandemia e a principal ação da campanha é mostrar como é importante se manter informado sobre o momento atual do mundo, em que a população passa por uma pandemia e assim, com o conhecimento necessário, poder agir sobre ela. 

Você viu?

 “Essa campanha propositalmente chocante visa despertar as consciências a reagirem aos ataques permanentes do sistema Bolsonaro contra a imprensa. Os ataques não são apenas moralmente intoleráveis, mas também perigosos para a população brasileira que se vê privada de informações vitais sobre a pandemia. O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil”, analisa Christophe Deloire, Secretário-Geral da RSF. 

O secretário-geral da ONU, Antonio Gueterres, por meio de seu discurso de abertura no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, fez um alerta sobre líderes que propagam informações falsas na pandemia , no mesmo dia em que Bolsonaro vira principal alvo de ação. 

“O acesso à informação que salva vidas foi ocultado – enquanto que a desinformação mortal foi amplificada – inclusive por aqueles no poder”, destacou Guterres. Mesmo sem citra nomes, nos bastidores, diplomatas acordaram que situação vista no Brasil é tida como referência no quesito preocupação. 

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Segundo a RSF, o trabalho da imprensa brasileira se tornou mais complicado com a chegada do atual presidente, Jair Bolsonaro ao poder em 2018. “Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente do país”, disse a ONG. 

 “Sempre que informações contrárias aos seus interesses ou aos de sua administração se tornam públicas, ele não hesita em atacá-los com violência. No final de janeiro, por exemplo, Jair Bolsonaro mandou os jornalistas para ” a puta que o pariu ” e afirmou que a lata de leite condensado era para ” enfiar no rabo […] da imprensa”, recordou. 

“Essa declaração delirante faz parte de uma estratégia bem azeitada de ataques contra a imprensa coordenados pelo presidente e seus familiares que ocupam cargos eletivos, conforme apresentado pelo relatório da RSF que lista nada menos que 580 ataques apenas em 2020”, aponta a ONG. 

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POLÍTICA NACIONAL

“Ele aproveitou conversa para passar recado ao STF”, diz Kajuru sobre Bolsonaro

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Kajuru deve deixar o Cidadania e se filiar ao Podemos
Edilson Rodrigues/Agência Senado

Kajuru deve deixar o Cidadania e se filiar ao Podemos

Responsável por gravar e divulgar uma conversa telefônica com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desencadeou nova crise institucional no governo, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou que deixou claro que o conteúdo seria divulgado. Segundo Kajuru, Bolsonaro “aproveitou a conversa para passar recado para o Supremo Tribunal Federal (STF)” e pedir o impeachment de ministros da Corte.

“Ele aproveitou o momento. É evidente. Deixei claro para ele que iria colocar o nosso papo no ar. Ele disse que não tinha nada para esconder. Ele queria que divulgasse. Ele só mudou de opinião porque alguém chegou nele e disse que tinha que sair dessa”, afirmou Kajuru em entrevista ao jornal O Globo .

Confira os principais trechos da entrevista:

Por que o senhor gravou o presidente?

No dia 1º de fevereiro, na eleição do Pacheco, eu subi na tribuna e falei que, pelo que convivi até agora no Senado nesses dois anos, tomei uma decisão, senhores e senhoras: toda conversa que eu tiver com político agora, vou gravar. Ou no meu telefone ou nessa caneta aqui que ganhei de presente. Estão avisados?

E o senhor gravou os seus colegas?

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Gravo conversa com todo mundo da política. O político me liga….Sabe por quê? Porque eu aprendi nos dois anos que eles falam uma coisa para você no telefone e, depois, vão na tribuna e apresentam um discurso diferente. Então, eu aprendi. Comigo, não. Não vou cair nessa, não. Comigo, se o cara for amanhã na tribuna e falar uma coisa diferente do que ele falou pra mim, vou mostrar a gravação. Porque eu avise. Ninguém me respondeu na tribuna. Ou seja, todo mundo ouviu calado que eu iria fazer isso.

Você viu?

Então, o senhor grava todas as conversas com os senadores?

Todas. E o presidente da República sabia disso.

Quem o senhor já gravou?

Todos que conversaram comigo, desde os bons aos ruins. O Pacheco já falou comigo. Conversa muito boa e tranquila. Foi quando pedi para ele me receber e receber o pedido de impeachment. Ele foi muito gentil. Gravei, porque poderia falar uma coisa diferentes depois.

Além do Pacheco, quem mais o senhor gravou?

Muitos. Um senador que é meu amigo, que brinca comigo, é o Álvaro Dias e sabe disso. Eliziane Gama. O Alessandro. Todos sabem. Depois que avisei que gravaria, diminuíram as ligações para mim, falei em fevereiro. Nos dois primeiros anos, eu recebia até 25 ligações de senadores por dia. Agora, recebo cinco por dia.

O presidente sabia disso?

É claro que ele sabia. Ele falou tudo aquilo sabendo que eu estava gravando. É evidente. Tanto é que ele quis aproveitar aquela conversa para fazer os desabafos dele. Ele aproveitou aquele momento. Foi uma conversa republicana, mas uma conversa que parecia para ele ser importantíssima. Tipo assim: estou conversando com um doido que vai vazar essa conversa. Ele aproveitou a conversa para passar recado para o STF, para pedir impeachment de ministro. Com certeza, ele fez isso. Ele aproveitou o momento. É evidente. Deixei claro para ele que iria colocar o nosso papo no ar. Ele disse que não tinha nada para esconder. Ele queria que divulgasse. Ele só mudou de opinião porque alguém chegou nele e disse que tinha que sair dessa.

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