AGRONEGÓCIO
Com aval da União Europeia, lideranças do agronegócio brasileiro avaliam mercado de R$120 trilhões
A aprovação política do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul pelos Estados-membros do bloco europeu, confirmada nesta sexta-feira (09.01) – como noticiou o Pensar Agro -, desloca o debate do campo diplomático para o campo econômico, com o setor agropecuário brasileiro passando a avaliar impactos práticos, exigências regulatórias e oportunidades de acesso a mercado.
O aval europeu encerra a etapa mais sensível do processo dentro da União Europeia e abre caminho para a assinatura formal do acordo, prevista para a próxima segunda-feira (12.01), em Assunção, no Paraguai. A entrada em vigor, no entanto, ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos processos de ratificação nos países do Mercosul, incluindo o Congresso Nacional brasileiro.
O tratado cria uma área de livre comércio que reúne cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) 00combinado estimado em cerca de R$ 120 trilhões, o que coloca o acordo entre os maiores já firmados no mundo. A previsão é de eliminação gradual de aproximadamente 90% das tarifas comerciais entre os blocos, com cronogramas que variam conforme o produto.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a confirmação do acordo pela União Europeia representa um divisor de águas. “Mais do que os números impressionantes — 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões — este acordo abre novas portas para empresas brasileiras, ampliando mercados, fortalecendo nossa competitividade e criando oportunidades de inovação e crescimento sustentável”.
“É um sinal claro de que o Brasil e seus parceiros do Mercosul estão cada vez mais integrados às grandes cadeias globais de valor. Para nós, profissionais, produtores rurais e empreendedores, significa pensar estrategicamente em como aproveitar esse novo cenário: seja expandindo negócios, buscando parcerias internacionais ou inovando para atender a novos mercados”, comentou Isan.
“O futuro da economia global passa pela cooperação, e hoje demos um passo importante nessa direção. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deve viajar a Assunção, Paraguai, na próxima segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, para a assinatura oficial do acordo UE–Mercosul com os países do bloco sul-americano”.
Isan pede entretanto, cautela na leitura dos efeitos imediatos. “A aprovação do acordo é um marco histórico, sem dúvida, mas é preciso separar o simbolismo político da realidade econômica. O acordo não gera benefícios automáticos. Ele abre portas, mas atravessar essas portas exige preparo, investimento e estratégia”, afirmou.
Segundo Rezende, o tamanho do mercado europeu e o poder de compra dos consumidores criam oportunidades relevantes, mas também elevam o nível de exigência sobre o produtor brasileiro. “Estamos falando de um mercado altamente regulado, com padrões rigorosos nas áreas ambiental, sanitária e de rastreabilidade. Para parte do agro brasileiro, isso já faz parte da rotina. Para outra parte, será um processo de adaptação que envolve custos e mudança de mentalidade”, disse.
O presidente do IA avalia que o acordo tende a beneficiar, em um primeiro momento, cadeias produtivas mais organizadas e integradas a sistemas de certificação. “Quem já investiu em tecnologia, governança e rastreabilidade sai na frente. O acordo amplia o mercado, mas também aumenta a concorrência e a cobrança por eficiência. Não é só vender mais, é vender melhor”, afirmou.
Rezende também ressalta que o impacto do acordo será gradual, tanto em relação à redução de tarifas quanto à ampliação efetiva das exportações. “Os prazos de desgravação são longos, em alguns casos chegando a mais de uma década. Isso reduz o impacto imediato, mas deixa claro que o produtor precisa se planejar desde agora. Quem esperar o acordo entrar em vigor para se adaptar vai perder tempo e espaço”, avaliou.
Por fim, o dirigente destaca que o avanço do tratado reforça a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, mas exige coordenação entre setor privado e governo. “O acordo coloca o Brasil em um novo patamar de integração comercial. Mas para transformar isso em ganho real, será fundamental alinhar políticas públicas, infraestrutura, crédito e assistência técnica. Caso contrário, o risco é o acordo existir no papel e não se converter em resultado no campo”, concluiu.
Analistas do setor avaliam que, apesar das resistências de países como França e Irlanda, a aprovação europeia sinaliza uma mudança de postura diante do redesenho do comércio global. Para o agronegócio brasileiro, o desafio passa a ser transformar o acordo em vantagem competitiva concreta, sem que exigências regulatórias se convertam em novas barreiras comerciais.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Parlamento Europeu trava acordo UE-Mercosul e frustra expectativas do setor exportador
A decisão do Parlamento Europeu de submeter o Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) introduz um novo elemento de incerteza em um tratado que levou 26 anos para ser concluído. Embora não represente uma rejeição formal, o movimento adia a implementação do acordo por, ao menos, mais um a dois anos e reforça o peso de fatores políticos e corporativos sobre uma negociação de natureza econômica.
A votação — apertada, com 334 votos favoráveis ao envio ao tribunal, 324 contrários e 11 abstenções — foi celebrada por agricultores europeus, especialmente franceses, que temem maior concorrência de produtos sul-americanos. Do ponto de vista do produtor rural brasileiro, no entanto, o efeito imediato é o congelamento de expectativas comerciais que vinham sendo construídas desde a assinatura oficial do acordo, no último sábado, 17, no Paraguai.
Estudos estimam que, em dez anos, o tratado poderia gerar cerca de R$ 20 bilhões adicionais para o Brasil, principalmente via exportações de carnes bovina e de aves, açúcar, etanol e lácteos, com redução de tarifas e ampliação de cotas. O atraso empurra esses ganhos para um horizonte indefinido, num momento em que o agro busca diversificar mercados e reduzir dependência de destinos tradicionais.
Mais do que uma discussão jurídica, a decisão expõe uma disputa estrutural. Parlamentares europeus justificaram o pedido de revisão citando diferenças regulatórias entre os blocos, alegado enfraquecimento de controles sanitários e veterinários e riscos à chamada autonomia regulatória da União Europeia. Na prática, o argumento central é o temor de que o acordo limite a capacidade do bloco de impor regras ambientais, agrícolas e de saúde pública sem sofrer contestações comerciais.
O texto aprovado no Parlamento menciona, de forma recorrente, a cláusula de “reequilíbrio” do acordo, que permitiria compensações comerciais caso medidas adotadas por uma das partes afetem o fluxo de comércio. Para os eurodeputados críticos, esse mecanismo poderia ter um efeito “intimidador”, desestimulando novas regulações ambientais. Especialistas em comércio internacional, porém, observam que cláusulas semelhantes existem em outros acordos e que o dispositivo não impede políticas públicas, apenas cria instâncias de diálogo e compensação.
Para o produtor brasileiro, o atraso tem dois efeitos centrais. O primeiro é econômico: posterga o acesso preferencial a um mercado de alto poder aquisitivo, justamente em cadeias onde o Brasil é altamente competitivo em escala, custo e produtividade. O segundo é estratégico: sinaliza que, mesmo após a conclusão técnica de um acordo, barreiras políticas internas na Europa podem ser acionadas para retardar ou esvaziar seus efeitos.
Na avaliação de especialistas, mesmo que o TJUE conclua que não há vícios jurídicos no tratado, o processo legislativo europeu seguirá lento. Caso o tribunal identifique qualquer inconsistência, o acordo pode voltar à mesa de negociação, prolongando ainda mais o impasse. Em ambos os cenários, o cronograma original fica comprometido.
Representantes do setor produtivo brasileiro afirmam que a judicialização já era esperada e reflete diferenças profundas entre os modelos regulatórios dos dois blocos. Enquanto a União Europeia adota um enfoque baseado no princípio da precaução, o Mercosul opera com marcos legais distintos, como o Código Florestal brasileiro, frequentemente alvo de críticas e, ao mesmo tempo, pouco compreendido no debate europeu.
O pano de fundo é a resistência de segmentos agrícolas europeus à abertura comercial. Com custos de produção mais elevados e forte dependência de subsídios, esses produtores veem no Mercosul um concorrente estruturalmente mais eficiente. Em um ambiente de instabilidade geopolítica e pressão interna sobre governos, o protecionismo tende a ganhar força, mesmo sob o discurso da sustentabilidade.
Para o agro brasileiro, o episódio reforça a necessidade de cautela na precificação de expectativas e de continuidade na estratégia de diversificação de mercados. O acordo com a União Europeia permanece relevante, mas sua concretização dependerá menos de fundamentos econômicos e mais da capacidade política do bloco europeu de conciliar discurso ambiental, interesses internos e compromissos internacionais.
Enquanto isso, o produtor rural brasileiro segue produzindo com competitividade, mas diante de um cenário em que decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância continuam tendo impacto direto sobre preços, investimentos e planejamento de longo prazo no campo.
Fonte: Pensar Agro
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